Histórias
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Olho gordo

O que é olho gordo, olho grande ou mau olhado? Antigamente era tudo a mesma coisa e, o povo realmente acreditava e, ainda acredita, que realmente existe. Vamos a alguns exemplos:

Ia para o Siriú um carro de boi, via estrada de Sertão do Mato, neste Município. Os bois eram tão bonitos e trabalhavam certinhos (bem parelhos) no carro de boi, que causou a admiração de um cidadão que disse:

Que bois lindos! E como trabalham direitinho no carro!

De repente, os bois brecaram (pararam), quebrando o carro e, não quiseram mais andar de carro de boi, daquele dia em diante. Por isso o povo antigo tinha o costume de dizer assim, ao acharem um boi ou qualquer coisa bonita: Que coisa bonita! Que DEUS conserve sempre assim. Dizendo isso, nada de mal acontece com aquele objeto que causou espanto pela boniteza ou bondade, porque "olho grande" não pegava. Todos eram aconselhados a dizer assim, porque ninguém sabe quando tem "olho gordo" ou não.

Outro exemplo dado sobre a pessoa que tem olho grande, foi contado por um Senhor aqui de Ribcirāo, para mim e para a minha esposa. Contou o referido Senhor (já idoso), que ele mesmo tinha um filho (que ainda vive), que tinha ou tem, "olho grande". O velhinho dizia e sustentava na frente da esposa, que por sinal concordava, que pendurou um cacho de banana maçā, bem apetitosa por sinal, para dar para um filho que morava em Florianópolis e, que há tempo não vinha visitá-los. O dito filho, que segundo eles tinha "olho gordo", deitou-se na esteira na sala da casa do pai, justamente abaixo do referido cacho de banana e, começou a pedir ao pai uma bananinha daquelas. O pai respondeu que enquanto o irmão não viesse, não mexeria naquele cacho de banana. Quando o irmão chegasse também comeria. Não satisfeito porque o pai Ihe negou a banana, começou a olhar para o cacho e, as bananas começaram a cair. Para usar expressão do velhinho que narrou a história envolvendo o próprio filho, ele disse que era só “pucum", justamente o barulho que as bananas faziam ao caírem. Ainda segundo ele, o filho de "olho grande ou gordo", ia comendo as bananas.

Será que um pai teria coragem de inventar uma história dessa do próprio filho? Será que uma Mãe também concordaria, se fosse mentira? Será que foi uma simples coincidência? Você leitor (a), é quem vai dizer se era verdade ou não e, se realmente existe gente de olho gordo!

Na mesma hora que o marido acabou de contar a história envolvendo o próprio filho, a sua esposa disse que realmente existe “olho grande", contando a seguinte história: Eram dois compadres. Um resolveu visitar o outro, porque morava um pouco distante daqui. O compadre que o outro visitou era dono de uma venda. Chegando na venda, o compadre visitante cumprimentou e, disse que veio visitá-lo, porque estava com saudades da família. Só cumprimentou e saiu para a porta olhando para o chão. Observando a atitude dele, o dono da venda perguntou:

— Compadre, por que o Senhor não olha para frente, ou seja, para dentro da venda?

— Ele respondeu que não olhava, porque se olhasse daria prejuízo ao compadre, derrubando todas as mercadorias.

— O dono da venda que não acreditava nessas coisas, desafiou o compadre a olhar para as mercadorias, que ele assumiria todo o prejuízo.

Mediante tanta insistência o compadre olhou para as prateleiras e, foi despencando no chão, as garrafas e as mercadorias, dando um grande prejuízo ao compadre. E para finalizar a história de “olho grande”, recentemente fui visitar uma Senhora que mora abaixo da minha residência e, ela disse que acredita em “olho grande” e, que no mês passado, arrancou um pé de maracujá roxo, que segundo ela, mataram com os olhos. Eu ainda tentei lhe convencer do contrário, alegando que “olho grande” não existe e, que talvez colocaram esterco de galinha não curtido no pé de maracujá e, matou. Ela disse que respeitava a minha opinião, mas continuou afirmando que foi “olho grande” mesmo, só de inveja, porque maracujá do roxo aqui não existe.

material extraido do Livro Por amor a Paulo Lopes. Ilustração: Maria Julia Esteves da Costa.